O mercado global de carbono surgiu com o Protocolo de Kyoto, que estabeleceu mecanismos para reduzir emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, essa dinâmica evoluiu para dois segmentos: o Mercado Voluntário e o Mercado Regulado.
Atualmente (2024–2025), o Mercado Voluntário é o único plenamente operante. Já o Mercado Regulado (SBCE), criado pela Lei nº 15.042/2024, encontra-se em fase inicial de monitoramento, ainda sem transações econômicas.
O país reúne vantagens competitivas naturais — Amazônia, biodiversidade, matriz energética renovável e forte potencial agrícola — que o colocam entre os maiores originadores globais de créditos de carbono de alta integridade. O Brasil concentra um dos maiores estoques de créditos voluntários do mundo, com cerca de 274 milhões de créditos emitidos e 103 milhões já utilizados. Mesmo assim, o valor econômico realizado em 2024–2025 (aprox. USD 0,5–1 bilhão) permanece 20 a 100 vezes abaixo do potencial estimado.
Há uma oferta significativa de créditos já emitidos e aposentados, mas com circulação econômica limitada. Ao mesmo tempo, existe demanda corporativa e institucional — doméstica e internacional — evidenciada por compromissos públicos e transações bilaterais.
Apesar disso, o mercado carece de preço consolidado, histórico público de transações e benchmarks nacionais, o que dificulta escala, previsibilidade e confiança.
A ausência de informação estruturada e confiável afeta tanto o desenvolvimento de novos projetos — reduzindo sua visibilidade, integridade e valor — quanto a jornada de empresas que buscam compensar emissões por meio da compra de créditos.
Esse cenário decorre do fato de que o Protocolo de Kyoto e normas subsequentes criaram metodologias e certificações, mas não estabeleceram mecanismos contínuos de governança, custódia padronizada ou interoperabilidade entre plataformas. O resultado é um mercado fragmentado, vulnerável e operando muito aquém de seu potencial.
